DESCUBRA A ESPANHA 

Juntamente com Portugal, a Espanha forma a Península Ibérica. Além dessa sua porção ibérica, a Espanha mantém ainda o domínio sobre os arquipélagos das Baleares, no Mediterrâneo, e das Canárias, no Atlântico, e também das cidades de Ceuta e Melilla, ao norte da África, afora várias ilhotas e rochedos na costa africana e o encrave – território encravado em outro  - de Llívia, na França.

Em contrapartida, abriga um território britânico – ainda que diminuto – no seu extremo Sul: Gibraltar, uma península cedida à Grã-Bretanha no Tratado de Utrecht, de 1713, como parte do pagamento por sua participação na Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714).

O território espanhol ocupa uma superfície de 504.645km2.

O clima e a paisagem variam desde os picos nevados dos Pirineus e dos Picos da Europa – a Espanha é o país europeu mais montanhoso depois da Suíça e da Áustria – até as planuras da Meseta central em que predominam as altas temperaturas e configurações quase desérticas.

Temperaturas suaves e chuvas abundantes nas costas mediterrâneas, com verões secos; temperaturas extremas no interior com intenso frio no inverno, forte calor e chuvas irregulares no verão; clima de montanha nas elevadas altitudes da Cordilheira Cantábrica e nos Pirineus, com  invernos rigorosos; climas áridos e semi-áridos em áreas isoladas, como em Almería, onde fica o deserto de Tabernas, Cabo de Gata, Granada, Murcia, Alicante e Valle del Ebro; clima subtropical em Málaga e Granada, com temperaturas altas e pouca chuva ao longo de todo o ano.

A população da Espanha em janeiro de 2009 era de 46.063.511 habitantes, resultando numa densidade demográfica de  91,3 hab/km2, uma das menores da Europa Ocidental.

A Espanha é  uma grande exportadora de automóveis e possui uma vigorosa indústria naval, calçadista, siderúrgica, química e têxtil. Sua indústria pesqueira é também de grande importância, assim como a produção de vinho e de azeite.

O regime político é o de uma monarquia parlamentarista e a chefia do Estado é exercida pelo Rei Juan Carlos I.

O Poder Executivo é exercido por um conselho de ministros governado pelo Presidente del gobierno, cargo equivalente ao de primeiro ministro. O Poder Legislativo é exercido pelo Parlamento, composto pela Corte ou Asamblea Nacional – da qual faz parte o Congreso de los Diputados com 350 membros eleitos, e o Senado, com 259 membros, dos quais 208 são eleitos pelo povo e 51 indicados pelos Legislativos Regionais, com mandato de quatro anos.

A capital espanhola é Madrid, localizada estrategicamente no coração do país. Ela sedia a Chefatura do Estado, representada pela Coroa, o Governo Central e as Cortes Gerais. Todavia, Barcelona, a principal cidade da Catalunha, disputa com Madrid a supremacia no comércio, nas artes e nos desportos.

A hidrografia da Espanha é abundante, sendo os rios mais representativos o Ebro, o Duero, o Tajo, o Guadiana e o Guadalquivir, além de inúmeros lagos e grandes represas.

A Espanha está  dividida em 17 comunidades autônomas e duas cidades Ceuta e Melilla – que gozam de uma condição intermediária, entre a do município e a da Comunidade. Da mesma forma quatro das comunidades – Andaluzia, Catalunha, Galícia e País Basco – usufruem da condição especial, de “Nacionalidade Histórica”, que lhes dá maior poder e autonomia de decisão, além de soberania em relação às demais Comunidades.

Algumas dessas comunidades, portanto, são mais autônomas do que outras, havendo inclusive aquelas que almejam alcançar sua independência.

O idioma falado na Espanha é o espanhol – ou castelhano –, mas não somente ele. Uma boa parte da população é bilíngüe e, em alguns casos, trilíngüe. De acordo com especialistas, são faladas na Espanha quatro línguas. Três delas têm sua origem latina: espanhol, catalão e galego; a quarta é mais antiga e de origem desconhecida: a língua basca ou euskara. A estas, deve-se acrescentar o aranês, dialeto gascão (da Gasgonha, França) falado no Valle de Arán, onde é também língua oficial, e o bable, dialeto procedente do latim, falado em Astúrias. Por outro lado, o aragonês e o leonês são dois grupos que procedem do latim; eles não chegaram a adquirir o reconhecimento de línguas e hoje são considerados dialetos.  
 

MANIFESTAÇÕES CULTURAIS 

A Espanha é  um país cuja história abarca mais de 2.000 anos, por isso mesmo repleto de tradições e manifestações culturais. Algumas dessas tradições de tão significativas, são conhecidas no mundo todo e logo associadas ao povo espanhol, como é o caso das touradas e da dança flamenca, por exemplo.  

Sidrerias

As sidrerias – famosas em Astúrias – são os bares onde se toma a sidra, bebida fresca feita da maçã, que não tem nada a ver com a bebida homônima servida no Brasil. Na Espanha, a bebida é um fermentado de baixo teor alcoólico, que por isso pode e deve ser tomada numa única talagada, na melhor tradição espanhola.

Assim como a bebida difere da nossa, a sidreria – o lugar onde ela é vendida – também apresenta características peculiares, distinguindo-se inclusive na forma como o cobiçado liquido é servido. Para começar, as sidrerias são freqüentadas por gente de todo tipo: casais, colegas, grupos de amigos, parceiros nos negócios... e lógico por solitários desejosos de curtir momentos de introspecção e de recolhimento...

Partilhar uma sidra é uma forma de festejar a amizade e a alegria da vida; é também uma maneira segura de afogar as mágoas e atenuar as dores de cotovelo ou de coração partido.

Numa Sidreria, você ficará impressionado com pelo menos duas coisas: a destreza dos garçons ao servirem a bebida – arte que requer toda uma técnica e habilidade próprias, das quais falaremos a seguir – e a quantidade de sidra que um aficionado é capaz de consumir numa única sentada.

Para servir a sidra, o garçom ergue a garrafa o mais alto que conseguir, esticando o braço, e, com a outra mão, segura o copo – sempre de vidro tão fino quanto possível abaixo no nível da cintura, meio inclinado, para que o liquido despejado lá de cima caia exatamente na borda, sem derramar, e forme uma espuma que valorizará seu corpo e sabor. Chama-se isto “escanciar”.

Cada dose não deve exceder a medida de dois dedos no fundo do copo, e a sidra deve ser consumida num único gole, sem pausas para respirar, sem rodeios.

Essa mise-em-scène tem uma razão de ser fundamental: é que, durante a queda, a bebida é aerada, despertando-lhe todas as propriedades organolépticas. Se não for consumida imediatamente, adquirirá um gosto meio amargo, desagradável.

Há evidências de que esta bebida exista na Espanha desde o tempo dos romanos – talvez até antes deles. Sabe-se com certeza que, durante os séculos 8 e 9, já existiam imensos pomares de maçãs na região  das Astúrias, e como não há quem agüente comer alimentos à base de maçã todo dia, é justo supor que utilizavam parte da colheita para algo mais interessante.  

Flamenco

Trata-se de bela manifestação cultural espanhola. Não é só dança, é todo um conjunto entre dança, música, tablado e espírito.

Viver o flamenco é algo inimaginável. O canto entra pela alma e faz possível a manifestação de tristeza ou alegria. Ver uma bailarina dançando flamenco é pensar, o que será que se passa pelo coração desta mulher? Porque tanto prazer e movimento numa dança? E sentir os toques do violão, é como viajar sem tempo para retorno. Isso é o mistério do Flamenco.

Para ser possível acontecer um espetáculo de Flamenco, são necessários, uma Guitarra (violão), um cantaor (cantor), o tablao (palco) e uma bailaora (bailarina) ou bailaor (dançarino). E de preferência que esse show de flamenco aconteça no seu lugar de nascimento, na Andaluzia. Em Sevilha, no bairro de Santa Cruz existem excelentes casas de flamenco. E em Sacromonte, Granada, é possível ver shows de flamenco, dentro das cavernas. Onde os antigos ciganos habitavam, e alguns ainda habitam.

Como é  bonito escutar o dedilhado de violão feito por Paco de Lucia (um dos melhores violonistas do mundo). Suas inúmeras canções, com esse som tão especial. Se torna mais bonito quando escutamos a voz de Camarón de la Isla (1952-92), um cigano que impressionou o mundo do flamenco com a sua voz. Ainda hoje me impressiona, principalmente quando escuto a música (La Cava de los Gitanos). Que voz que tinha esse moço!

Muitos dizem que o flamenco nasceu dos ciganos, mas a realidade é que não se sabe ao certo sua origem. Porém foi influenciado bastante pelos ciganos. E o berço deste é Andaluzia.

O SER ESPANHOL 

Os estereótipos são formados a partir de características encontradas numa parcela significativa do grupo ao qual o indivíduo se insere, seja este o grupo religioso, a torcida de um time de futebol, uma agremiação política, uma comunidade regional ou um país.

Neste sentido, o que se diz dos espanhóis – como de resto o que se diz de todas as demais nacionalidades – tem algum fundo de verdade.

Toda generalização é perigosa e incorreta, mas, apesar disso muitas pessoas costumam “classificar” as demais segundo sua origem étnica, cor de pele, preferência futebolística, religião, entre outros.  

Sincero e Franco

O espanhol é sincero. È comum ele falar exatamente o que pensa. Tal atitude é muitas vezes mal interpretada por quem o escuta. Portanto, procure entender as nuanças de comportamento, aprecie e saiba conviver harmoniosamente com essa diferença cultural. A Espanha é o maior destino turístico do mundo. Ao solicitar seu pedido em restaurantes, seja ágil, levando em consideração que um grande número de pessoas é atendido diariamente.  

Passional

A paixão faz parte da cultura espanhola em suas mais diversas manifestações: religiosa, política, social etc.

As touradas, por exemplo, são muito populares na Espanha. Tanto que têm inspirado artistas famosos como Goya, Pablo Picasso, García Lorca e Hemingway.

Nas artes plásticas, o culto ao sentimento é igualmente emblemático. Basta uma visita a um grande museu ou a uma catedral para verificar como são representadas as cenas da paixão e morte de Jesus, por exemplo, ou o episódio da Guerra Civil espanhola, com seus detalhes realistas, artisticamente retratados através de uma leitura estética da dor e do sofrimento humano.

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